A entrada de duas grandes marcas do varejo brasileiro na Shopee amplia o leque de produtos que sites podem recomendar e reforça o marketing de afiliados como fonte complementar de receita para portais e produtores de conteúdo.
O Grupo Magalu iniciou, em 15 de outubro de 2026, uma parceria com a Shopee para vender produtos de estoque próprio das marcas Magazine Luiza e KaBuM! dentro do marketplace. A operação inclui eletrodomésticos, eletroeletrônicos, móveis, games e informática.
Os produtos ficam na seção de Lojas Oficiais da plataforma, e as entregas são feitas pelo Magalog, operador logístico do grupo.
Para quem vive de conteúdo digital, a notícia levanta uma pergunta prática: como publishers podem aproveitar a expansão do comércio eletrônico para diversificar a monetização?
Com programas de afiliados cada vez mais integrados a marketplaces, redes sociais e plataformas de conteúdo, sites especializados podem transformar parte da audiência em receita baseada em vendas, somando aos ganhos que já têm com publicidade programática.
O que muda com a chegada do Magalu e do KaBuM! à Shopee?
A parceria permite que as duas marcas vendam produtos de estoque próprio diretamente na Shopee, ampliando seus canais de distribuição.
Para o consumidor, isso significa encontrar produtos de varejistas conhecidos em um ambiente que ele já usa para pesquisar preços e comprar. Segundo a própria Shopee, a plataforma é acessada por cerca de 90 milhões de brasileiros por mês.
Para publishers e afiliados, a mudança aumenta o conjunto de produtos e ofertas que podem ser avaliados em conteúdos comerciais.
Um site de tecnologia, por exemplo, pode encontrar oportunidades em notebooks, computadores, periféricos e acessórios vendidos pelo KaBuM!. Já portais de casa, decoração e consumo podem trabalhar com produtos do Magazine Luiza que façam sentido para seus leitores.
Um cuidado antes de planejar qualquer pauta: estar na Shopee não significa que todo produto esteja disponível para comissionamento. Elegibilidade, percentuais de comissão e condições de remuneração devem ser conferidos no Programa de Afiliados da plataforma.
Por que essa parceria importa para publishers?
No marketing de afiliados, sites e criadores recebem comissões por vendas atribuídas aos links que divulgam, conforme as regras de cada programa.
A lógica é diferente da publicidade programática. A programática monetiza a oportunidade de exibir um anúncio; a afiliação depende do comportamento de compra do usuário.

É justamente essa diferença que permite que os dois modelos convivam. Um portal de tecnologia pode gerar receita com anúncios gráficos e, na mesma página, recomendar produtos em artigos, reviews e comparativos.
O potencial está em identificar os conteúdos em que o leitor demonstra intenção comercial.
Uma reportagem sobre o lançamento de um processador atrai quem quer conhecer a novidade. Um guia sobre os melhores processadores para determinado uso alcança alguém mais perto da decisão de compra. Entender essa diferença ajuda o publisher a escolher o modelo de monetização certo para cada tipo de conteúdo.
Quatro oportunidades para publishers no marketing de afiliados
1. Conteúdos com tráfego orgânico e intenção de compra
Sites que recebem visitantes do Google podem aproveitar conteúdos com intenção de compra para incluir links de afiliados relevantes.
Artigos como “Como escolher um notebook para trabalhar”, “Melhores monitores para home office” ou “O que avaliar antes de comprar uma geladeira” ajudam o consumidor durante a pesquisa. A chegada do Magalu e do KaBuM! à Shopee pode ampliar as ofertas apresentadas nesses materiais, desde que os produtos estejam elegíveis no programa.
O que diferencia o resultado é a utilidade do conteúdo. A ideia não é encher a página de links, e sim usar o conhecimento editorial do site para ajudar o leitor a decidir.
2. Reviews, comparativos e guias de compra
Publishers especializados têm uma vantagem clara: sabem produzir conteúdo aprofundado sobre seus segmentos.
Um portal de games pode comparar consoles, periféricos e acessórios. Um site de tecnologia pode analisar smartphones, computadores e componentes. Esses materiais reúnem especificações, diferenças entre modelos, orientações de compra e links para ofertas disponíveis. O mesmo formato serve para eletrodomésticos, casa e decoração.
A receita acontece quando o leitor faz uma compra válida atribuída ao link. Para que ela se sustente, três cuidados pesam: preservar a independência editorial, sinalizar o conteúdo comercial e manter as informações atualizadas.
3. Conteúdos sazonais e datas promocionais
Black Friday, 11.11 e Natal são momentos fortes para quem produz conteúdo de consumo. A Shopee também trabalha com campanhas de “datas duplas”, das quais as lojas do grupo Magalu poderão participar.
Nesses períodos, sites podem publicar guias de ofertas, listas temáticas e comparativos. Um portal de tecnologia, por exemplo, pode organizar uma cobertura de ofertas de notebooks e acessórios durante a Black Friday.
O custo dessa estratégia é operacional: preços, disponibilidade e condições comerciais mudam rápido e exigem atualização frequente. Também é preciso verificar quais produtos pagam comissão e se há campanhas específicas para afiliados. A presença do Magalu e do KaBuM! na Shopee não garante, sozinha, que todos os produtos participem das ações promocionais.
4. Diversificação da receita publicitária
A oportunidade mais estrutural está na combinação entre afiliados e mídia programática. Publishers que dependem só de anúncios gráficos podem testar uma fonte complementar de receita a partir dos conteúdos que já produzem.
Isso não significa trocar banners por links comerciais em todas as páginas. A decisão deve considerar a intenção do usuário e as características de cada conteúdo: uma notícia de última hora tem um perfil de monetização diferente de um comparativo ou de um guia de compra.

Diversificar assim reduz a dependência de um único formato e abre espaço para receitas que a programática, sozinha, não captura.
Como funciona a monetização pelo Programa de Afiliados da Shopee?
No Programa de Afiliados da Shopee, participantes aprovados divulgam produtos por meio de links personalizados. Quando uma venda válida é atribuída ao link, o afiliado recebe uma comissão, conforme as regras da plataforma.
O programa também prevê mecanismos como comissões extras oferecidas por vendedores participantes e campanhas com condições específicas. Além dos links, a Shopee oferece formatos de conteúdo como Shopee Vídeos e Shopee Lives, sujeitos às regras de acesso e participação. Segundo as empresas, a parceria dá ao Magalu acesso a uma rede de mais de 10 milhões de criadores e afiliados da Shopee no Brasil.
Para o publisher, o formato depende da estratégia de audiência:
- Sites com tráfego orgânico tendem a se beneficiar de conteúdos evergreen, ou seja, artigos com relevância duradoura que recebem atualizações periódicas.
- Operações com presença forte nas redes sociais podem combinar o conteúdo do site com vídeos demonstrativos e recomendações de produtos.
Até a publicação deste artigo, não havia confirmação pública de campanhas de comissionamento exclusivas para produtos do Magalu e do KaBuM! na Shopee.
Afiliados e mídia programática: como avaliar os resultados
Afiliados pedem indicadores diferentes dos usados na programática. Enquanto CPM (receita por mil impressões) e RPM (receita por mil páginas ou sessões) mostram o desempenho dos anúncios, a operação de afiliados deve acompanhar:
- CTR dos links: proporção de cliques em relação às oportunidades de interação.
- Taxa de conversão: percentual de cliques que viram compras atribuídas.
- EPC (Earnings per Click): receita de comissão gerada por clique.
- Receita por sessão: quanto o publisher efetivamente monetiza por visita, somando todas as fontes.

Com esses dados, dá para comparar conteúdos e encontrar onde vale a pena ajustar. Uma página com muito tráfego pode gerar pouca receita de afiliação se o público não tem intenção de compra. Já um conteúdo especializado, com audiência menor, pode render bem quando resolve uma necessidade de compra específica.
O ponto central é olhar o desempenho de forma integrada. Se um bloco de links de afiliados empurra os anúncios para baixo da dobra, a comissão pode crescer enquanto a receita programática cai. A receita por sessão é o indicador que mostra se a página ganhou valor de verdade ou só trocou uma receita por outra.
SEO e qualidade editorial continuam decisivos
Links de afiliados precisam seguir boas práticas de SEO e de transparência comercial.
O Google recomenda marcar links remunerados, como os de afiliados, com o atributo rel=”sponsored”. Também é importante avisar ao leitor quando o conteúdo tem links que podem gerar comissão.
Outro cuidado é evitar páginas feitas só para divulgar produtos, sem informação relevante. Reviews, comparativos e guias de compra devem trazer conteúdo original, informações verificáveis e orientações que realmente ajudem o usuário.
A confiança da audiência é o principal ativo de uma operação de afiliados. Recomendações mal fundamentadas desgastam essa relação e podem prejudicar o desempenho editorial do site como um todo.
O que esperar do mercado de afiliados
A chegada do Magazine Luiza e do KaBuM! à Shopee reforça um movimento de integração entre grandes varejistas, marketplaces e diferentes canais de venda. Só em 2026, o Magalu já havia anunciado acordos semelhantes com Amazon e Mercado Livre.
Para publishers, a novidade amplia o universo de produtos disponíveis para conteúdo e monetização. O potencial de receita, porém, vai depender das condições de comissão, da relevância das ofertas e da capacidade de atrair leitores com intenção de compra.
Oportunidades de afiliados não surgem só porque há novos produtos à venda. Elas aparecem quando conteúdo de qualidade, intenção de compra e uma operação comercial bem organizada se encontram.
Na AdZep, olhamos a monetização a partir do perfil da audiência, do comportamento dos usuários e de todas as fontes de receita que um site pode ter. A publicidade programática continua sendo parte central desse trabalho, e modelos complementares, como afiliados, podem deixar a operação menos dependente de uma única fonte.
Para publishers que já têm audiência qualificada, o próximo passo é mapear os conteúdos, identificar onde existe intenção de compra e testar novas fontes de receita sem comprometer a experiência do leitor nem o desempenho dos anúncios.
Perguntas frequentes
Todos os produtos do Magalu e do KaBuM! na Shopee geram comissão para afiliados?
Não necessariamente. A elegibilidade e o percentual de comissão de cada produto devem ser conferidos no Programa de Afiliados da Shopee.
Links de afiliados atrapalham a receita de anúncios programáticos?
Podem atrapalhar se ocuparem espaços de alta visibilidade ou afastarem o leitor da página cedo demais. Por isso, vale comparar a receita por sessão antes e depois da mudança, e não apenas a comissão gerada.
Como sinalizar links de afiliados para o Google?
O Google recomenda usar o atributo rel=”sponsored” em links remunerados. Também é boa prática informar o leitor de que o conteúdo pode gerar comissão.

